O que é preciso fazer para seguir uma carreira de diplomata?

0
3

A carreira de diplomata é cercada de muitas histórias, mas também de extrema dedicação e muito estudo.

Por trás de todo o glamour que a profissão parece ter, existem muitas etapas a vencer.

Se você, em algum momento da vida pensou em se tornar de diplomata, deve saber que o caminho é longo, porém pode ser muito compensador.

A decisão de seguir carreira de diplomata não é simples. Afinal de contas, além da dedicação, será preciso abrir mão de algumas coisas.

Você se interessa pela profissão? Tem facilidade com outros idiomas? Possui interesse por culturas diversas? E tem habilidades mediadoras?

Então, conheça neste artigo o que é preciso fazer para seguir uma carreira de diplomata: o que estudar, como é a formação e detalhes da profissão em geral.

O que faz um diplomata

De forma bem resumida podemos dizer que o diplomata é um representante da República Brasileira em outros países. 

Esse profissional trabalha diretamente para o Ministério de Relações Exteriores, também conhecido como Itamaraty. 

O órgão ligado ao Poder Executivo é responsável pela nossa política externa e relações bilaterais, regionais e multilaterais do Brasil com outros países.

Cabe então ao diplomata conduzir as relações e os negócios do Brasil com o resto do mundo. Além disso, o diplomata é o representante oficial do país em entidades e organismos internacionais.

Uma outra função de extrema importância do diplomata é prestar assistência aos compatriotas que estão no exterior.

Quem segue a carreira de diplomata pode representar o Brasil em funções consulares ou diplomáticas, ou seja, voltadas aos cidadãos ou aos interesses nacionais.

Áreas de atuação de um diplomata

Os diplomatas podem atuar em três áreas diferentes. São elas:

  • Em países, embaixadas e consulados;
  • Organismos multilaterais (como por exemplo a Organização das Nações Unidas – ONU);
  • No Brasil.

Em cada uma dessas áreas o diplomata exerce inúmeras atividades. Por exemplo:

  • Em embaixadas e consulados em países estrangeiros: os diplomatas cuidam de assuntos de interesses dos cidadãos brasileiros no exterior; priorizam relações bilaterais e  negociam oportunidades de inserção econômica, política e cultural. No exterior, o diplomata pode trabalhar em uma das 139 embaixadas, 52 Consulados Gerais, 11 Consulados, 8 vice-Consulados, 12 Delegações ou 3 Escritórios.
  •  Em organismos multilaterais: o diplomata busca promover os interesses brasileiros em níveis regionais e global, além de articular acordos com outras nações.
  • No Brasil: dentro do próprio país, o diplomata trabalha junto à política externa e também atua em decisões administrativas no Ministério de Relações Exteriores. A sede em Brasília engloba órgãos que assistem diretamente ao ministro da pasta, a Secretaria Geral das Relações Exteriores – que possui seis secretarias, coordenações, departamentos e divisões – e o Instituto Rio Branco.

Em cada uma das atividades que exerce, o diplomata precisa ter um perfil negociador e estar ciente das questões internacionais e do papel do Brasil neste cenário.

Uma das funções mais importantes e que exige muita dedicação dos diplomatas é o fato de evitarem confrontos e estarem em busca de conciliação com outras nações e órgãos internacionais.

O que é preciso para ser um diplomata

Se você pensa em ser diplomata, deve ter ciência que é preciso se enquadrar nos pré-requisitos abaixo:

  • Ser brasileiro nato e maior de 18 anos;
  • Estar em dia com as obrigações eleitorais;
  • Estar em gozo de seus direitos políticos;
  • Apresentar diploma de conclusão de curso superior emitido por universidade brasileira reconhecida pelo Ministério da Educação;
  • Ser aprovado em exames pré-admissionais de aptidão física e mental para o exercício do cargo;
  • No caso dos candidatos do sexo masculino, estar em dia com as obrigações do serviço militar.

Qual graduação é preciso ter  ter uma carreira de diplomata

O edital do Concurso de Admissão do Instituto Rio Branco –  processo seletivo básico para o ingresso no Itamaraty – não define uma graduação específica para quem quer seguir a carreira de diplomata.

No entanto, algumas graduações são bastante comuns entre os candidatos ao concurso. São elas:

Uma informação interessante do Instituto Rio Branco mostra que:

  • 48% dos candidatos aprovados no concurso são graduados em Direito;
  • 24% dos candidatos aprovados no concurso são graduados em Relações Internacionais;
  • 6% dos candidatos aprovados no concurso são graduados em História.

É importante ressaltar que assim como a graduação não influencia na classificação do candidato, a pós-graduação também não exerce influência.

Concurso de Admissão do Instituto Rio Branco

Como já citado anteriormente, quem pretende seguir a carreira de diplomata precisa ser aprovado em um processo seletivo: o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

O Concurso de Admissão é realizado todos os anos. O candidato pode realizar a prova em uma das 26 capitais brasileiras e em Brasília e deverá pagar uma taxa de R$225,00.

Em 2019 o processo de seleção será aplicado em duas fases:

Primeira fase do CACD

Segundo o edital de 2019, a primeira fase do processo seletivo terá 73 questões, com quatro afirmações cada.

A primeira fase acontece em duas avaliações, sendo uma no período da manhã e outra no período da tarde.

Essas avaliações possuem três horas de duração e englobam as matérias de:

  • Português;
  • Política Internacional;
  • Geografia;
  • Direito;
  • Direito Internacional Público;
  • Língua Inglesa;
  • História do Brasil;
  • História Mundial;
  • Economia.

A primeira fase é eliminatória e apenas os 200 primeiros colocados passam para a segunda fase. 

Entre esses 200 candidatos aprovados na primeira fase, 150 são de ampla concorrência, 40 são negros e 10 são pessoas com deficiência.

Segunda fase do CACD

A segunda fase contempla questões dissertativas das seguintes disciplinas:

  • Língua Portuguesa;
  • Língua Inglesa;
  • História do Brasil;
  • Geografia;
  • Política Internacional;
  • Economia;
  • Direito;
  • Espanhol;
  • Francês.

Todas essas provas contam pontos para a classificação final. 

As provas Língua Portuguesa e Língua Inglesa acontecem em dias exclusivos e tem 5 horas de duração cada. Já as demais provas acontecem em outros três dias e cada um tem 4 horas de duração.

O que acontece após a aprovação no concurso

Após a aprovação no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, o profissional entra para a carreira diplomática ocupando o cargo de Terceiro-Secretário.

Em seguida, o profissional segue a seguinte carreira:

  • Segundo-Secretário;
  •  Primeiro-Secretário;
  • Conselheiro;
  •  Ministro de Segunda Classe;
  • Ministro de Primeira Classe (Embaixador).

 Os diplomatas de carreira são servidores públicos. Por isso, após a aprovação no concurso são nomeados oficialmente, apresentam documentação e submetem-se a exame psicotécnico.

Após essas fases, o profissional aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata toma posse em uma cerimônia solene realizada geralmente no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Qual o salário de um diplomata

De acordo com o edital 2019 do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, remuneração inicial bruta do profissional aprovado é de R$ 19.199,06.

Com as promoções no decorrer do tempo os salários passam a ser:

  • Segundo-secretário – R$ 21.226,79
  • Primeiro-secretário – R$ 22.802,63
  • Conselheiro – R$ 24.500,44
  • Ministro de segunda classe – R$ 26.319,29
  • Embaixador ou Ministro de primeira classe – R$ 27.369,67

É importante lembrar que os salários dos diplomatas são corrigidos todos os anos. 

E para ser promovido, o profissional precisa cumprir alguns critérios, como:

  • Antiguidade;
  • Merecimento;
  • Período mínimo de permanência de três anos em cada classe;
  • Tempo de serviço no exterior;
  • Tempo de carreira e conclusão de cursos específicos. 

Além disso, as promoções na carreira de diplomata precisam ser aprovadas através do voto de colegas de trabalho, de superiores e do ministro de Relações Exteriores. 

A estimativa é que um diplomata leve no mínimo 20 anos para chegar ao topo da carreira.

Se a carreira de diplomata é o que você pretende seguir, é bom começar a se preparar o quanto antes, afinal de contas, essa é uma vaga muito disputada.

No ano de 2018, na classificação por ampla concorrência a relação de candidato por vaga foi de 278,63.

E para ajudar a você a se preparar, acompanhe as novidades do Vai de Bolsa e confira dicas de estudo e capacitação para sair na frente dos concorrentes.

Além disso, você deve ficar ligado nas possibilidades de bolsas de estudo tanto para a graduação como para cursos de língua estrangeira, itens fundamentais para quem pretende seguir a carreira de diplomata.