Qual a relação dos clássicos da literatura brasileira com o vestibular?

Se você quer fazer sua graduação nas instituições mais tradicionais do país, então terá que prestar o tão “famoso” vestibular, uma prova com questões de conhecimento geral dos conteúdos do Ensino Médio, para a qual exigi-se uma boa organização.

A partir do resultado das provas é que será feita a seleção dos candidatos para ingressarem nos cursos a que se inscreveram.

Os vestibulares das intuições federais, estaduais e da maioria das faculdades privadas incluem em seus editais a exigência da leitura de livros clássicos da literatura brasileira, os quais serão utilizados como base para algumas questões.

O que faz de um livro de literatura um clássico?

A literatura é um campo vasto de publicações sensacionais, e a literatura brasileira é repleta de autores, de estilos, de informações e impressões, de riqueza de histórias, de detalhes da vida cotidiana e da vida humana que retratam seu tempo e marcam sua geração.

Dentre todas essas publicações, alguns livros são considerados “clássicos”, pois possuem:

  • Apelo universal: seu alcance é mundial, atingindo uma amplitude de pessoas diferentes, de diversas nações, culturas, línguas, raças, idades e gêneros, conectando ideias e inspirando vidas.
  • Influência de outros autores: seu estilo, sua estrutura, sua linguagem, sua história e demais características exercem grande estímulo e influência sobre outros autores de sua geração e das que seguiram, tornando-se referência, exemplo.
  • Valor atemporal: por todas as suas contribuições, a influência do livro perpassa gerações e tempos, tornando seu valor inestimável, em tempo e fora de seu tempo.

Dessa forma, elencamos a seguir alguns dos livros mais requisitados nos vestibulares ao longo dos anos, verdadeiros clássicos da literatura brasileira. Confira na sequência.

1844: A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo)

Esta obra é considerada como o primeiro romance brasileiro.

Numa linguagem coloquial, o livro é a própria história de amor do protagonista, Augusto, o qual escreve o livro “A Moreninha”, relatando seu romance com Carolina, irmã de Felipe, seu amigo.

A escrita do livro é, na verdade, fruto da perda de uma aposta realizada entre Augusto e Felipe, no feriado de Sant’Ana, que passaram juntos com outros amigos na “Ilha de…” (o nome da ilha nunca é citado no livro).

O livro é narrado em terceira pessoa, mas Augusto de vez em quando toma à frente da narração também.

1881: Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)

Machado de Assis é considerado o maior escritor de literatura brasileira. Seu estilo sempre foi romântico, mas Memórias Póstumas marca uma mudança brusca em seu estilo, emergindo assim o que chamamos de “realismo”.

O livro é narrado pelo próprio Brás Cubas após a sua morte, como sugere o título. Ele, filho da elite branca de sua época, relembra sua infância, seus amigos, seus privilégios .

O narrador lembra também de seu amor adolescente por Marcela e como seu pai acabou com o romance ao mandá-lo estudar na Europa estudar “leis”, o que chamamos de “Faculdade de Direito” hoje.

Na volta, apaixona-se por Virgínia, também de família rica, mas tradicional, que não era a condição da família de Cubas, pois esta ficou rica com o trabalho de fabricação de cubas.

Mas, ao final, também perde seu segundo amor para Lobo Neves, que torna-se marido dela e também deputado.

1890: O Cortiço (Aluísio de Azevedo)

O livro é um retrato da escrita naturalista do realismo brasileiro, um retrato da vida miserável dos que vivem num cortiço e as reais intenções do ser humano por trás de suas ações cotidianas:

  • Valorização da cultura brasileira e seus costumes;
  • Linguagem informal, do cotidiano;
  • Identificação e denúncia dos problemas da sociedade brasileira;
  • Retratação dos personagens como marginalizados etc.

Conta a história de João Romão, um português em busca de riqueza. Ele é o dono do cortiço e também da pedreira e da taverna. Com sua ascensão social, torna-se também um investidor e participante da alta sociedade.

Inicialmente, trava uma rixa com seu vizinho também português Miranda, comerciante de tecidos, mas encontra nele um aliado para conseguir prestígio social, em troca de dinheiro fácil através do casamento arranjado com Zulmira, a filha de Miranda.

Acesse o site da Fundação Biblioteca Nacional e baixe este que também é um dos clássicos da literatura brasileira, e está disponível gratuitamente.

1899: Dom Casmurro (Machado de Assis)

Este clássico conta a história de um suposto triângulo amoroso entre Bento Santiago, sua esposa Capitu e seu melhor amigo de infância Escobar.

A resposta a tal traição de Capitu ainda é uma incógnita aos leitores, mas a desconfiança do ciumento Bentinho, o narrador do livro, perdura até mesmo depois da morte do amigo, e ainda mais quando nasce seu filho Ezequiel, a quem ele encara como tendo traços físicos do falecido amigo.

Acesse o site do MEC e baixe este que também é um dos clássicos da literatura brasileira, e está disponível gratuitamente.

1915: Triste fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)

O livro é considerado pré-modernista, escrito na transição entre o simbolismo e o modernismo e traz consigo algumas características muito peculiares de seu tempo.

É nesse contexto que o livro conta a história de Policarpo Quaresma, um profundo patriota que toma decisões radicais em sua vida, desde falar apenas tupi-guarani, até comer somente comidas típicas do Brasil e viver no campo, a fim de resgatar a verdadeira essência do ser brasileiro.

Mas, como o próprio título desse clássico anuncia, seu fim foi realmente triste, e ao invés de ser considerado um herói dos bons costumes, morreu como traidor da nação.

Acesse a Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados e baixe este que também é um dos clássicos da literatura brasileira, e está disponível gratuitamente.

1934: São Bernardo (Graciliano Ramos)

São Bernardo é o nome da fazenda que o personagem principal, Paulo Honório, o próprio narrador, tem como objetivo conquistar em sua trajetória de vida.

No contexto da Era Vargas, o poder que não tem princípios e até mesmo suprime o valor da vida humana são marcas do personagem principal, que corrompe e oprime todos que estão à sua volta, a fim de conquistar seus objetivos, levando a própria mulher ao suicídio.

1946: Sagarana (Guimarães Rosa)

Depois da Machado de Assis, Guimarães Rosa é considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos e por isso seus livros são sempre clássicos da literatura.

Esta obra é a estreia do autor e também a da terceira fase do modernismo no país.

Sagarana é um conjunto de nove contos que se passam no interior de Minas Gerais, narrados na linguagem regional, sertaneja, ressaltando suas características.

Os contos são narrados em primeira e terceira pessoa, por figuras marcantes e até por animais, e falam dos “causos” mineiros e sua tradição oral.

Confira os contos que compõem o livro Sagarana:

  • O burrinho pedrês;
  • A volta do marido pródigo (Traços biográficos de Lalino Salãthiel);
  • Sarapalha;
  • Duelo;
  • Minha gente;
  • São Marcos;
  • Corpo fechado;
  • Conversa de bois;
  • A hora e a vez de Augusto Matraga.

1955: Morte e vida Severina (João Cabral de Melo Neto)

O livro narra a odisseia do retirante Severino em busca da felicidade, de uma vida melhor que ele acreditava ser longe do sertão e da seca no Nordeste.

Todo narrado em versos pelo seu autor e poeta, a obra é datada da terceira parte do período modernista, e é ainda hoje referência de crítica social.

1956: Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)

Neste livro, o narrador da história é também o personagem principal. Ele conta a sua história de vida, desde que era jovem até virar um jagunço de um grupo, do qual vira chefe tempos depois.

Em meios às 600 páginas do clássico, Riobaldo também descreve seu amor platônico por Reinaldo/Diadorim, seu companheiro de bando, por acreditar a vida inteira que este era homem e o homossexualismo era inaceitável em seu meio.

Mas, depois da morte de seu amor reprimido, é que Riobaldo descobre que ele era na verdade ela, isso mesmo, uma mulher.

1977: A hora da estrela (Clarice Lispector)

Este livro também foi escrito na terceira parte do período modernista, sendo o último romance publicado pela autora.

O narrador é Rodrigo, também personagem do livro, um escritor às vésperas da morte, que conta a história de Macabéa, uma alagoana de 19 anos que larga tudo para viver no Rio de Janeiro.

A personagem principal leva uma vida simples como datilógrafa na cidade grande e, quando perde o namorado para uma moça mais “bonita e esperta”, procura uma cartomante que diz que sua sorte mudará.

Mas, quando ela sai do consultório da charlatã, sua sorte realmente muda e ela vira uma estrela e tem sua tão sonhada atenção de todos, ao morrer atropelada.

1990: O caderno rosa de Lori Lamby (Hilda Hist)

Com uma escrita em forma de diário, Lori Lamby é a narradora e personagem principal, que registra em seu caderno seu dia a dia de garota de 8 anos que é vendida pelos pais como prostituta.

A autora exprime em sua narrativa fortes críticas ao mercado editorial, indicada sua frustração e até mesmo as mudanças que um escritor precisa fazer em seu estilo para que seu produto seja qualificado como algo vendável.

1997: Cidade de Deus (Paulo Lins)

Paulo Lins é o autor deste romance emblemático que se passa num conjunto habitacional no Rio de Janeiro que leva o mesmo nome do livro.

A narrativa se aproxima muito do naturalismo/realismo, pois retrata, em três partes, o caos da realidade das pessoas, repleta de criminalidade, desigualdades sociais e injustiças, contrabalanceadas pelo amor, pelas comemorações regionais e religiosas e pela esperança do encontro com a felicidade em detalhes da vida cotidiana.

Há quem diga que esta obra é um paralelo temporal do livro “O cortiço”, de Aluísio de Azevedo.

2001: Eles eram muitos cavalos (Luiz Ruffato)

O autor é o narrador, e com seu olhar panorâmico, desvenda a vida de São Paulo e dos seus habitantes, tão anônimos uns dos outros e tão iguais.

Mas, ao mesmo tempo em que ele retrata a maior cidade da América do Sul, ele descreve a realidade da sociedade, do mundo, em que a humanidade está caminhando e perdida em sai mesma e dos outros.

E aí, já sabe quais desses clássicos da literatura brasileira você deverá ler para o seu vestibular? Veja também nosso artigo sobre como estudar literatura para o Enem.

Sentiu falta de algum clássico nesta lista? Compartilhe conosco suas leituras e impressões nos comentários.

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