Vai prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e ainda têm dúvidas sobre a redação? Então, você está no lugar certo, pois o Vai de Bolsa separou dicas sobre como fazer uma boa redação no Enem.

O primeiro passo é acabar com o mito de que algumas pessoas possuem facilidade para escrever, enquanto outras, não. Seguir a estrutura correta, com os critérios propostos para a redação, pode te garantir a nota máxima, mesmo que você não tenha tanta facilidade com a escrita.

Pegue seu papel e sua caneta, e vamos lá!

1. Siga a estrutura da redação e não fique no básico

A maioria dos estudantes se prendem a estrutura básica de uma redação, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Além disso, no meio da redação deve haver dois ou três parágrafos com argumentos. Está é a estrutura básica, e pode não ser o suficiente para uma boa redação do Enem.

O primeiro ponto a se atentar é a quantidade de argumentos que você irá utilizar na redação do Enem. Para ter argumentações ricas e profundas, em apenas 30 linhas, você deve se contentar com apenas dois argumentos. Caso apresente mais argumentos do que isso, a probabilidade deles serem rasos e não agregarem à sua redação é grande.

Além disso, outro ponto que normalmente os estudantes não levam em consideração na hora de escrever uma redação é a estrutura do parágrafo. O parágrafo na dissertação argumentativa – gênero textual mais utilizado no Enem, em concursos públicos e no vestibular, deve seguir uma regra.

O parágrafo deve conter 3 frases, e cada uma delas deve possuir um objetivo específico, como mostrado abaixo:

  • A primeira frase do seu parágrafo, deve ser curta, de no máximo duas linhas e bem simples. Seu nome técnico é Tópico Frasal e seu objetivo é mostrar de forma geral qual é o tema do parágrafo. Inclua nesta frase a palavra-chave deste parágrafo;
  • A segunda frase é muito importante, ela é o coração do seu argumento. Neste momento você deve convencer o leitor sobre determinado assunto, utilizando técnicas de argumentação, como exemplos concretos, estatísticas, argumentos de autoridades, entre outros. Uma boa dica é utilizar três exemplos concretos para dar mais corpo a esta parte do parágrafo;
  • A última frase, pode ser tida como uma conclusão do parágrafo. Este é o momento de chegar a uma síntese do que foi falado no parágrafo em questão e fazer um gancho para o próximo.

2. Inicie sua redação agora!

Provavelmente você já passou, ou presenciou algum colega que passou pela seguinte situação: ficou um longo período de tempo olhando para a folha em branco, sem conseguir nem ao menos iniciar a redação.

Isto é mais comum do que você imagina! Mas, num momento como um exame do Enem ou uma prova do vestibular, não há tempo para perder. Então você deve iniciar sua redação o quanto antes.

Para começar a sua redação de forma mais rápida, e garantir que a estrutura desejada está sendo seguida, utilize a estrutura da introdução. Ela deve possuir pelo menos dois dos três elementos abaixo. Vale lembrar que o terceiro é obrigatório. 

  1. Inicie o seu parágrafo fazendo uma contextualização de tempo em relação ao tema ou problema proposto. Entender sobre história te dará pontos a mais, pois qualquer tema proposto pode ser analisado sob a ótica histórica;
  2. Utilize a visão de um grande pensador sobre algo que possa ser relacionado ao tema de sua redação. Cite um filósofo, sociólogo ou cientista que você conheça;
  3. É extremamente importante que você traga o seu posicionamento pessoal a respeito do tema. Isso se chama “tese”, e é um elemento obrigatório para este tipo de redação. Caso você não inclua a tese, têm grandes chances de zerar a redação. Este [e o momento de dar o tom, mostrando qual é o enfoque que você dará para o tema ao longo do texto.

3. Utilize bons argumentos no desenvolvimento

No desenvolvimento da sua redação, você deve utilizar argumentos para defender a sua tese. É muito importante que você se posicione quanto ao tema levantado. Neste momento, você pode utilizar argumentos que te deixem a favor ou contra o tema, ou então, é possível pesar ambos os lados.

Algumas perguntas interessantes que devem ser respondidas no desenvolvimento da sua redação é:

  • Como posso provar isso?
  • Quais são as causas disso?
  • Como isso acontece?

Também é importante que você saiba como argumentar. Paul Graham, ensaísta, cientista da computação e investidor britânico, publicou em 2008 um ensaio onde definia uma “hierarquia da contradição”.

No ensaio, Graham aponta quais as melhores formas de argumentar sobre algo. Segundo ele, existem sete formas de argumentar contra algo. São elas: ataque puro, ad hominem, resposta ao tom, contradição, contra-argumentação, refutação e refutação do ponto central. Hoje focaremos apenas nos tipos de argumentação relevantes que te ajudarão a entender como fazer uma boa redação do Enem.

Contradição

Essa é a forma mais simples de discordar de algo. Na contradição o autor afirma uma ideia contrária à do texto original, sem apresentar sólidos argumentos ou rebater a informação. A contradição é simplesmente a apresentação da sua posição contrária ao assunto.

Exemplo: O jornalista disse que vai chover amanhã, mas na verdade vai fazer sol.

A contradição pode ser utilizada na redação do Enem. Porém, é uma argumentação fraca, que não agregará muitos pontos à redação. O ideal é que se utilize outros tipos de argumentação neste momento.

Contra-argumentação

Na contra-argumentação o autor posiciona-se contrário ao texto original e baseia-se em argumentos sólidos, sustentáveis e com embasamento. Porém, a contra-argumentação não ataca diretamente a argumentação do texto original.

Exemplo: Me disseram que todos os celulares vendidos no centro da cidade são de má qualidade porque são produtos chineses. Porém, pesquisei na internet e descobri que os celulares da Xiaomi, marca chinesa, são muito bons.

No exemplo acima, apesar de contra-argumentar e dizer que os celulares da marca chinesa Xiaomi são bons, o autor não faz uma ligação direta com “os celulares vendidos no centro da cidade”. Sendo assim, não há evidência que os celulares vendidos no centro da cidade são da marca chinesa citada acima.

Este tipo de argumentação também pode ser usado na redação do Enem. Mas, existem argumentações que atribuem um embasamento maior para o seu texto.

Refutação

A partir da refutação, os argumentos passam a ser mais embasados. Isso porque, na refutação o autor deve levar um argumento que vá de encontro a um ponto relevante da ideia original do texto.

Exemplo: O autor do texto diz que não concorda com a possibilidade de casais homossexuais adotarem crianças, pois isso seria uma violação aos ideais cristãos. Além disso, o autor diz que a homossexualidade é um comportamento social exclusivamente humano. Porém, este comportamento já foi observado em diversas espécies do reino animal, conforme pesquisa de Bruce Bagemihl e Paul Vasey.

Percebe-se que a refutação derruba, com propriedade, uma parte importante do texto original, onde diz que o comportamento homossexual é exclusivamente humano. Porém, este não é o ponto central do argumento do texto original, que é a violação dos ideais cristãos.

Refutação do ponto central

Quando se refuta o ponto central de argumentação de um texto, você atinge o nível máximo de discordância. Ou seja, se o seu argumento é uma refutação do ponto central do texto original, provavelmente ele será um bom argumento.

Depois que o ponto central de uma argumentação é refutado, toda a argumentação precisa ser jogada fora, ou então revista. Dessa forma, encontra-se níveis cada vez maiores de discussões.

Exemplo: Incluir um exemplo aqui.

Este tipo de argumentação reune os requisitos desejáveis de uma boa refutação: foca no conteúdo da ideia original, e não em seu autor, identifica os argumentos apresentados e centraliza apenas nos argumentos principais. Dessa forma, mostra evidências sólidas, apresentando as referências de trabalhos ou estudos citados.

4. Solucione o problema na conclusão

Chegamos na última, mas não menos importante, etapa da redação: a conclusão! É neste momento que você deve fazer um fechamento sobre o tema e pensar em uma proposta de intervenção. Atenção, esta parte da redação chega a valer 200 pontos.

Pense fora da caixa! Proponha ideias diferentes e que vão agregar em seu texto. Utilize embasamento teórico, trazendo a visão de especialistas, filósofos ou de estudos sobre o tema, para apoiar o seu posicionamento.

Lembre-se, que além de bem detalhada, a sua proposta de intervenção deve ser relacionada ao tema e à argumentação que você realizou na redação.

Proponha ideias que sejam práticas e factíveis – levando em consideração o contexto histórico, social e cultural – e que não sejam vagas.

Agora você já sabe como fazer uma boa redação do Enem, veja também quais os temas que podem cair na redação deste ano.  Não esqueça de treinar bastante e seguir os conteúdos do Vai de Bolsa. 

 

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