Você sabe tudo sobre as escolas literárias do Brasil? Saiba que essa é uma forma de sistematizar a literatura no nosso país. Em outras palavras, serve basicamente para facilitar o estudo da disciplina. Permite caracterizar um estilo ou a predominância de certas temáticas de acordo com o período ou época literária. As escolas literárias nos contam muito sobre a própria história do nosso país.

Se você deseja saber mais sobre a literatura nacional e como funcionam as escolas literárias, certamente esse texto lhe será útil. Até porque esse é um assunto recorrente de provas de vestibular e do Enem. Acompanhe mais sobre o assunto nesse post e fique por dentro dos períodos literários do Brasil.

Como se dividem as escolas literárias

Primeiramente, essa categorização da literatura brasileira tem como objetivo facilitar o estudo e isso pode ser feito de forma sistematizada. Desse modo, é através de cada período literário que existem autores de referência que marcam cada contexto histórico onde estão inseridos.

A literatura no Brasil é marcada por duas eras: a Era Colonial e a Era Nacional. E cada uma dessas eras, exitem subdivisões das escolas literárias. Veja a seguir:

Era Colonial

A Era Colonial é aquela que representa a literatura produzida no Brasil colônia, quando não existia uma literatura com identidade nacional. Nesse sentido, as influências eram importadas da Europa, mais especificamente Portugal. Nessa era a literatura é subdividida com os seguintes períodos:

  • Quinhentismo (de 1500 a 1601);
  • Barroco (de 1601 a 1768);
  • Arcadismo (de 1768 a 1808).

Quinhentismo

Esse nome se refere ao período do descobrimento do Brasil, em 1500. Ele é caracterizado no Brasil pela produção de uma literatura de informação. Ela era apenas descritiva e evidenciava aquilo que havia de valioso no território nacional.

Essa literatura reúne os relatos de viagem dos cronistas, dois deles muito famosos por sinal: Hans Staden e Jean de Léry. Essa literatura, portanto, não tem os olhos de um nativo. Ou seja, não é originalmente nacional, pois ela é escrita sob o ponto de vista do colonizador. Embora possa trazer grandes informações sobre a fundação do país, ela não é uma produção de fato brasileira.

O texto que merece destaque como marco principal dessa era é a Carta de Pero Vaz de Caminha. Esse é o documento no qual o escrivão da corte portuguesa registrou as primeiras impressões sobre o Brasil. É uma espécie de certidão de nascimento e muito discutida entre ser uma literatura nacional ou não, já que foi escrita em solo brasileiro e no sentido de ser literário.

Em síntese, a carta que é o primeiro texto redigido em língua portuguesa no Brasil ainda dá muito o que falar e pode ser objeto para diversos debates e análises. Você pode conferir o texto integral nesse link.

Barroco

Esse é um dos movimentos que foram fortemente enraizados no Brasil e de maior duração no período colonial. Ele foi introduzido no país através dos jesuítas, que tinham como objetivo catequizar o povo indígena. No Brasil houve uma espécie de eco do Barroco europeu e foi marcante principalmente na arquitetura e escultura. Na literatura, um dos maiores nomes desse movimento é o Gregório de Matos. Para a prosa, um dos maiores escritores desse tempo é o Pe. Antônio Vieira, muito conhecido por seus sermões, que são textos com altíssimo grau de erudição escritos em língua portuguesa.

Uma das características principais desse movimento é o contraste ou a dialética. Veja a seguir alguns conceitos que predominam nesse movimento:

  • A dualidade;
  • Exagero das emoções;
  • Figuras de linguagem em excesso;
  • Temática religiosa e profana juntas;
  • Linguagem dramática.

Arcadismo

Essa escola tem como preceitos as ideias do Iluminismo e é uma oposição ao movimento Barroco. Portanto, uma escola literária que buscava a simplicidade, indo na direção contrária do movimento anterior, que valorizava o exagero e excessos. Algumas características que predominam nessa escola são:

  • Idealização da mulher amada;
  • Uma linguagem simples e objetiva;
  • A pureza e a ingenuidade.

É nesse período que serão introduzidos as paisagens tropicais, valorização da história colonial, dando início ao nacionalismo nas obras produzidas por aqui. Os maiores nomes desse período no Brasil são:

  • Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)
  • José Basílio da Gama (1741-1795)
  • Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810)

Era Nacional

Em contrapartida, a Era Nacional é marcada pela produção literária no período pós-transição, em 1836 até os dias atuais. Dessa forma, a literatura produzida no território brasileiro é um esforço genuinamente brasileiro de criar uma identidade nacional. Pois o Brasil, nessa era, é um país independente e começa a produzir, de fato, uma literatura autônoma. Vale lembrar, que a literatura brasileira tem uma característica muito peculiar de evolução, sendo construída quase que paralelamente com a nação. Veja quais são esses períodos:

Romantismo (1836-1881)

Essa é uma das escolas literárias que tem como temas o amor e o sofrimento. O romantismo brasileiro tem como marco inicial a publicação do livro de poemas Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, em 1836. 

Esse é um período literário que tem as seguintes características como predominantes:

  • Rompimento com a tradição;
  • Idealização da mulher;
  • Subjetivismo e egocentrismo;
  • Indianismo;
  • Evasão e escapismo.

Além disso, o Brasil é marcado por três fases ou gerações românticas. Veja a seguir:

1.ª fase: nacionalismo e indianismo

As  características principais dessa fase são: o Nacionalismo e o Indianismo. Nesse período, os escritores exploram os temas ligados à natureza, as obras, durante esse período, buscam de certa forma um resgate histórico, da mesma forma que o medievalismo na Europa, no Brasil esse resgate é feito pelo indianismo. Um dos maiores nomes desse período é o autor Gonçalves Dias, com a obra Canção do Exílio. Você pode acessar o texto nesse link.

2.ª fase: egocentrismo e pessimismo

Nessa fase predominam o egocentrismo e o pessimismo. Esse período também é marcado com o uso do termo Mal do Século, também pode ser conhecido como a geração Ultrarromântica. Portanto, é um período marcado por aspectos negativos, como: pessimismo, negativismo, exaltação da morte e fuga da realidade. Ou seja, esses aspectos atravessam e predominam nas obras. Um dos escritores mais conhecidos desse período é o Álvares de Azevedo, com a obra Noite na Taverna. Você pode conferir a obra nesse link.

3.ª fase: liberdade

Essa fase está caracterizada como aquela que reivindica a liberdade. Também pode ser conhecida como Geração Condoreira. Desse modo, o tema do abolicionismo é bastante explorado nesse período.

No entanto, ainda é a constante busca de uma identidade nacional. Um dos autores mais expressivos para essa época é o poeta Castro Alves, com a obra Navio Negreiro. Você pode conferir o texto nesse link.

Realismo (1881-1922)

Essa é uma escola literária que tem como objetivo se opor ao Romantismo. Tem como tema os principais problemas sociais desse período no país e a linguagem é clara e objetiva. Esse período foi muito influenciado pelas ideias de Charles Darwin. Há quem diga que a obra que funda esse período é Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Além disso, Machado de Assis é considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira. Você pode conferir a obra nesse link.

Naturalismo (1881-1922)

Esse período baseia-se na representação fiel da realidade. Portanto, essa é uma das escolas literárias com um movimento bastante similar com o do realismo. Porém, essa escola literária é um pouco mais radical. Ela foca em mostrar a animalização do homem.

Enquanto o realismo se preocupava em mostrar um ponto de vista mais social. Essa vertente preocupa-se em tratar o homem como um produto desse meio social e como o homem é modificado pela natureza. Um dos escritores mais relevantes desse período é o Aluísio Azevedo, com a obra O Cortiço. Você pode conferir a obra nesse link.

Parnasianismo (1881-1922)

Essa é uma das escolas literárias que converge com as ideias anti-românticas. Pois tem objetividade ao tratar dos temas e predomina o culto da forma, não no sentido. Talvez esse aspecto atribua uma certa opacidade aos escritos desse período, tornando as obras um tanto quanto herméticas.

Existe um trio de autores importantes para esse período, que são conhecidos com a Tríade Parnasiana, composta por Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.

Simbolismo (1893-1922)

Esse é um movimento literário que ocorreu em paralelo com o Parnasianismo. É um período conhecido por abordar temas místicos e o uso de figuras de linguagem como aliteração e sinestesia. O autor mais conhecido desse período é o poeta Cruz e Sousa, com obras do peso de Broquéis e Missal.

Pré-Modernismo (1902-1922)

É a partir dessa escola literária que os autores começam a ter um olhar mais críticos sobre os problemas sociais do Brasil. Começa, então, o surgimento de um nacionalismo crítico. Por ser um movimento de transição, que marca o fim do Simbolismo e o início do Modernismo, há quem não considere esse período como uma escola literária, pois as obras desse período tem características muito peculiares.

Desse modo, pode ser uma vertente muito problematizada por estar dentro de um contexto de transição. O autor mais relevante para esse período é Euclides da Cunha, com a obra Os Sertões.

Modernismo (1922-1950)

Esse é o único período de uma escola literária brasileira que tem uma data de nascimento definida. A semana de arte moderna, em São Paulo, entro os dias 11 e 18 de fevereiro do ano de 1922. As características principais são:

  • Busca pela linguagem brasileira;
  • Nacionalismo;
  • Ironia, humor e paródia;
  • Relato do cotidiano;
  • Revisão crítica do passado histórico e cultural;
  • Subjetivismo;
  • Versos livres.

Assim como o Romantismo, o Modernismo pode ser dividido em três fases. Veja a seguir os autores mais relevantes de cada fase:

1.ª fase

Essa é a fase em que os artistas tem um maior compromisso com a originalidade estética. Sendo assim, o objetivo é o rompimento total das tradições com um caráter revolucionário. Veja os autores mais conhecidos dessa fase:

  • Mário de Andrade
  • Oswald de Andrade

2.ª fase

Nessa fase, ocorre o amadurecimento das ideias inauguradas pela primeira fase e predomina a prosa e a ficção como composição textual em uma literatura politizada e edificante. Veja os autores mais relevantes:

  • Graciliano Ramos;
  • Érico Veríssimo;
  • Vinícius de Morais.

3.ª fase

A última fase do modernismo tem início por volta de 1945 e dura até os anos 80. Durante esse período as tendências são a prosa urbana e a regionalista. Veja os autores mais representativos desse período.

  • Clarice Lispector;
  • Guimarães Rosa.

Vamos começar as leituras?

Em resumo, ler obras de cada período permite um entendimento maior sobre as questões da nação brasileira e sobre as características das escolas literárias que tanto esclarecem sobre aquilo que está culturalmente impregnado no ser humano.

Além de livros, você também gosta de filmes? Tem alguns bem interessantes sobre a história do Brasil, em complemento às escolas literárias.

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