As notícias dos jornais e revistas não são muito motivadoras para as mães: “mais mulheres do que homens abandonam a carreira para cuidar dos filhos”. Ou ainda o “mercado de trabalho fecha portas para grávidas”. Tem também “mães com filhos pequenos e metade das mães são demitidas na volta da licença-maternidade. Na faculdade, não é diferente. Quem é mãe enquanto estuda passa por dificuldades. Mas saiba que há alternativas como a licença maternidade na faculdade. 

Portanto, se você está cursando uma universidade e receber a notícia que será mãe, não se desespere! Vamos contar para você como funciona a licença maternidade na faculdade. Nesse caso, você vai saber quais os pré-requisitos para obter esse benefício. Desse modo, seu curso superior não será comprometido, além da sua gravidez. Também vamos dar dicas de como enfrentar a situação e exemplos de pessoas que conseguiram estudar mesmo grávidas.

Nos últimos anos as empresas, principalmente as startups, têm direcionado um novo olhar para as mães. E nas faculdades não é diferente. Confira!

Licença-maternidade está na lei

A Lei federal nº 6.202, aprovada em 1975, e assegura que as jovens que estiverem grávidas podem estudar em casa desde que esteja amparada por um atestado médico. Essa lei é bastante antiga. Veja o que ela diz:

  • A partir do oitavo mês de gestação e durante três meses a estudante em estado de gravidez ficará assistida pelo regime de exercícios domiciliares;
  • Em casos excepcionais devidamente comprovados mediante atestado médico, poderá ser aumentado o período de repouso, antes e depois do parto.

Portanto, você está amparada por lei para estudar na sua casa em caso de gravidez durante a faculdade.

Estatísticas que preocupam

No entanto, existem vários casos divulgados na internet de instituições que não cumprem com a legislação. Além disso, temos ainda que levar em consideração que estudar logo após o parto não é uma tarefa tão simples.

A dificuldade é tanta que pode ser facilmente identificada pelas estatísticas. Um estudo realizado pelo MEC (Ministério da Educação) em parceria com o OEI (Organização dos Estados Ibero Americanos) e a Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências) mostrou que 18,1% das meninas e mulheres entre 15 e 29 anos abandonaram os estudos por conta de uma gravidez inesperada. Já a evasão dos homens por conta de uma gravidez é de apenas 1,3%.

Embora esses números digam respeito à Educação Básica, é possível inferir que a realidade no Ensino Superior é similar. Isso porque as mulheres são a maioria nas universidades. O artigo Mães e universitárias: transitando para a vida adulta, por exemplo, traz alguns dados do Censo do ano 2000. Naquela época, 8,81% das estudantes de cursos de graduação entre 19 e 29 anos tinham filhos entre 0 a 4 anos. Esse quadro já exigia políticas públicas para assegurar a permanência dessas mães na universidade.

As autoras Ana Maria Urpia e Sônia Maria Sampaio mostram no artigo que a maioria das universitárias que deixavam os filhos na creche da instituição não tinham planejado a gravidez. E não raro, vários discursos mostram mulheres preocupadas em dar conta da rotina de faculdade, estágio, as disciplinas e a escassa vida social com a chegada de um bebê.

A ideia da super-mãe que dar conta de tudo é mito

As universitárias são amparadas por lei para tirar licença-maternidade, mas a maioria das instituições não está preparada para inserir essas mulheres em uma metodologia de estudo dirigido. Da mesma forma, passado o puerpério não é tão simples retomar as atividades, afinal é preciso trabalhar para sustentar a criança, dar conta da casa, cuidar do bebê e ainda enfrentar todos os desafios de uma graduação.

No artigo ‘Ter filhos, estando na universidade, te faz uma errante na vida’ várias mães falam em como foi a vida depois da licença-maternidade na faculdade. Um dos apontamentos é que as instituições não estão preparadas para aceitar crianças em ambientes de adulto. Se a mãe não conta com uma rede de apoio para deixar o bebê enquanto frequenta as aulas o desafio é maior. Ou ainda se a universidade não tem com uma creche.

No artigo, as entrevistadas dão dicas para criar esse ambiente de acolhimento. Um espaço que poderia ser fomentado pela universidade e servir até mesmo para que estudantes de pedagogia pudessem estagiar.

Rede de apoio online dá força

O blog Cientista que virou mãe é escrito pela Ligia Moreira Sena, que engravidou durante o mestrado e, desesperada, não sabia como resolver suas dúvidas sobre gravidez e bebês enquanto passava 12h no laboratório de bioquímica. Seu site acabou virando uma grande rede de apoio e motivação para universitárias que se encontravam na mesma situação.

A rede de apoio cresceu e hoje 50 cientistas que viraram mães escrevem sobre maternidade, comportamento, educação, diversidade, gestão financeira e muito mais! Os textos são financiados pelas leitoras e as escritoras são remuneradas. De forma que, também é possível contribuir para que essas cientistas possam seguir em frente com suas pesquisas.

Abaixo confira uma lista de comunidades que funcionam como redes de apoio para mães universitárias e que acabaram de sair da licença-maternidade na faculdade:

Trancar ou tirar a licença-maternidade na faculdade?

Nós já falamos que mãe não é heroína e quem não conta com rede de apoio para auxiliar no final da gestação acaba passando muito aperto. É por isso que as grávidas costumam ficar com a dúvida se tiram a licença-maternidade na faculdade ou se trancam um semestre. Contudo, como tudo na vida há prós e contras e tomar esse tipo de decisão tem muito a ver com o que você pretende para o seu futuro. 

Se você estuda em universidade particular, por exemplo, é necessário analisar a questão financeira. Se você tira a licença-maternidade, a legislação garante que você pode estudar em casa e, portanto, as mensalidades devem ser pagas normalmente. Por outro lado, se você tranca, deixa de pagar os boletos. No entanto, há mais riscos de desistência, não é mesmo?

Outro ponto para ser levado em consideração é qual momento do semestre será o parto. Caso seja no final, perto das férias, é possível tirar a licença e ficar em casa cuidando do bebê sem precisar fazer provas e trabalhos acadêmicos.

Além disso, tudo depende das situações que você pretende enfrentar. Algumas vezes, faz mais sentido atrasar um pouco a formatura, mas não ficar exausta tentando dar conta de tudo.

Condições boas para tirar a licença-maternidade na faculdade:

  • A instituição é federal ou estadual;
  • É possível estudar em casa por meio de leituras e dúvidas com os colegas sem que a aula presencial seja, de fato, essencial;
  • O parto será no final do semestre;
  • A sua rede de apoio é presente e está disposta a ajudar;
  • A formatura está quase ali;
  • A gravidez corre tranquila e sem riscos.

Pensar em trancamento quando:

  • As disciplinas são muito difíceis sendo as aulas essenciais;
  • A mensalidade é cara e você sente que não vai voltar;
  • O bebê vai nascer no começo do semestre. No puerpério, a mãe está debilitada e o bebê exige bastante;
  • Você não se incomoda em adiar a formatura;
  • Você quer curtir os primeiros meses com o bebê sem pensar em provas;
  • A gravidez é de risco.

Organize um plano de estudos para esse período

Agora que você já sabe como funciona a licença-maternidade na faculdade, saiba como organizar um plano de estudos para esse período. Selecionamos três posts do blog Vai de Bolsa muito indicados para você nesse momento:

Espero que o conteúdo ajude a você passar por esta fase da vida com mais tranquilidade. Até a próxima!

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